Escola de Ciências da UMinho adapta oferta formativa para dar resposta aos desafios ambientais atuais

Os dois cursos assentam na experiência científica do Departamento de Ciências da Terra e do Centro de Ciências da Terra, cujos investigadores têm vindo a desenvolver projetos nacionais e internacionais em áreas como alterações climáticas, recursos hídricos, solo e desertificação, contaminação ambiental, erosão costeira, microplásticos, riscos naturais e transição energética.

Já a partir de setembro, os alunos da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) terão acesso a dois novos ciclos de estudos focados nos temas da sustentabilidade ambiental. Partindo dos currículos já existentes e tendo em conta as necessidades de adaptação aos novos desafios não só do planeta, mas também do mercado de trabalho, a ECUM criou a licenciatura em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade Global e o mestrado em Sustentabilidade Ambiental, Tecnologias e Energia.

Os dois cursos assentam na experiência científica do Departamento de Ciências da Terra e do Centro de Ciências da Terra, cujos investigadores têm vindo a desenvolver projetos nacionais e internacionais em áreas como alterações climáticas, recursos hídricos, solo e desertificação, contaminação ambiental, erosão costeira, microplásticos, riscos naturais e transição energética.

Além disso, apoiam-se e aprofundam a rede de colaborações e de investigações reconhecidas em várias geografias.

À RUM, a docente e diretora do Departamento de Ciências da Terra, Teresa Valente, explicou que a necessidade desta reestruturação teve em conta vários aspetos, mas surgiu sobretudo do dinamismo dos desafios ambientais que marcam o século XXI.

“A questão da sustentabilidade ambiental e de todos os aspetos relacionados com isso, bem como algumas questões mais relacionadas com a inovação, com novas tecnologias, com as questões da transição energética, obrigaram-nos a fazer esta reestruturação”

Além disso, as necessidades do mercado de trabalho também foram tidas em conta. De acordo com a professora, o contacto quer com entidades públicas quer com empresas do setor da indústria e consultoria contribuíram para ganhar esta perspetiva de como o ambiente foi evoluindo “no sentido de trabalhar aqui com indicadores de sustentabilidade, com estas questões da transição energética, com as questões da transição ecológica”.

Segundo a docente, estes novos ciclos são o balanço perfeito entre investigação fundamental e a inovação. Nos últimos anos, a UMinho tem se diferenciado internacionalmente e acolhido eventos cada vez maiores em áreas centrais para o desenvolvimento sustentável. É o caso, por exemplo, da cátedra em Geodiversidade e Geoconservação atribuída pela UNESCO à academia minhota pelo seu papel no estudo e promoção desta área emergente no mundo, e a organização do Congresso da International Mine Water Association que juntou no campus de Gualtar peritos de recursos geológicos e impacte ambiental da mineração de mais de 30 países.

A estes aspetos soma-se o movimento de aproximação nacional às questões da sustentabilidade com a introdução da legislação que fortalece a monitorização dos solos e a transição ecológica, dinâmicas que “estavam a forçar uma renovação”.

“Isto é tudo muito dinâmico. Isto de que um curso veio para ficar 10, 20 anos já não é bem assim. Temos de ter sempre isto em conta, principalmente nestas áreas que são tão mexidas e que têm tanta dinâmica.”

Para além da complementaridade óbvia entre os dois ciclos, a docente assegura que a reestruturação, sobretudo do mestrado, se ajusta a qualquer aluno com formação base na área das tecnologias, das ciências e até das ciências económicas.

“Ele vem complementar a formação de primeiro ciclo em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade Global, mas queremos acreditar que ele também pode complementar muitas outras formações, quer na área das ciências, quer na área das tecnologias, quer na própria área das ciências económicas e até das ciências sociais.”

Os critérios de acesso mantêm-se, sem alterações significativas, porém, de acordo com a docente, houve uma adaptação dos planos permitindo que as áreas da economia e as áreas mais relacionadas com a geografia e com as ciências sociais, “também pudessem, de alguma forma, ter acesso a uma licenciatura que, sem dúvida é uma licenciatura em ciências, mas com foco na sustentabilidade”.

Os detalhes do plano curricular e das candidaturas estão em www.ecum.uminho.pt .

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José Silva Brás
José Silva Brás

Jornalista na RUM

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