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Estreia na quinta-feira, no Teatro Carlos Alberto, no Porto, a peça “Raso como o chão”, construída a partir do livro com o mesmo título de Álvaro Lapa, que a história consagrou mais como artista plástico do que como escritor. No início, parece que o espetador se enganou e em vez de se sentar para ver uma peça de teatro, entrou numa sala de conferências. Sentado a uma secretária, com um ecrã nas suas costas e um computador aberto, João Sousa Cardoso, artista plástico, vai debitando explicações sobre “Raso como o chão” e sobre o trabalho que o juntou a Ana Deus, conhecida pela sua participação como cantora nos Ban, Três Tristes Tigres e Osso Vaidoso. Mas quando nas imagens projetadas surge o incêndio do Chiado, um fotograma de “Viagem a Itália” de Rossellini ou o avião destruído em Camarate e Ana Deus irrompe na boca de cena, tal como uma gueixa púrpura, para cantar algumas linhas de Álvaro Lapa, o espetador confirma que esta é uma peça de teatro, com diferentes pistas de leitura. |