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Cat Power é um dos nomes mais entusiasmantes da cena indie dos últimos tempos. A sua visita a Portugal esgotou o Coliseu dos Recreios de Lisboa, e no concerto do Coliseu do Porto, pouco faltou para suceder o mesmo. No passado dia 28 de Maio, Chan Marshall, o verdadeiro nome da americana da Geórgia, subiu a palco, acompanhada por uma garrafa, e logo tratou de conquistar o público. “Don´t Explain”, um tema original de Billie Holiday, e que faz parte do recente e aclamado “The Jukebox”, um álbum de covers, foi a aposta inicial desde espectáculo. A primeira parte foi dominada por este registo, com momentos altos em “New York”, de Frank Sinatra, “Women Left Lonely”, de Janis Joplin, ou ainda “Ramblin (Wo)man” de Hank Williams.
Cat Power evoluiu imenso nos últimos anos, e depois de ultrapassados os problemas com depressões, drogas e álcool, surge agora mais confiante, e com maior capacidade de enfrentar o público, cada vez mais exigente. A sua voz, intensamente profunda e arrebatadora, consegue deixar uma sala como o Coliseu completamente perturbada e a desejar que o momento perdure. “Lost Someone”, de James Brown, foi outro dos instantes que “tocou” na alma do público, que se comportou sempre à altura, aplaudindo apenas no fim e não enfraquecendo a interpretação de Cat Power. Influenciada, e completamente apaixonada pela música de Bob Dylan, a bonita e frágil cantora de 36 anos, incluiu em “Jukebox” um único tema novo, inteiramente dedicado ao mítico músico do Minnesota. “Song To Bobby” foi uma sentida homenagem a um dos seus ídolos de adolescência, e que se transcendeu em relação ao original do álbum. Neste recente lançamento, Cat Power recuperou também “Metal Heart”, de 1998, que se renovou e foi um dos melhores momentos da noite. Cat Power, depois de tocar “Blue”, de Joni Mitchel, retirou-se por breves momentos e começou a segunda parte da noite, perfumada por temas de “The Greatest”, de 2006, talvez o seu melhor trabalho. Nesta parte, destaque óbvio para os belos “The Greatest” e “Lived in Bars” ou ainda “Moon” e “Could We”. Pelo meio, uma intensa apresentação da banda que a acompanha, os “Dirty Delta Blues”, ao som de “Roadhouse Blues”, dos The Doors. Momento alto quando Gregg Foreman, teclista, a apresentou com” Ladies and Gentleman, from Atlanta, Geórgia, Ms. Cat Power”, levando o Coliseu ao rubro, se é que já não o estava há muito. A parte final do concerto, que demorou mais de duas horas, foi em apoteose, com Cat Power mandando acender as luzes, e cantando no meio do público “I've Been Loving You Too Long”, de Otis Redding. Pelo meio ficaram os acenos, os cumprimentos e vários“give me five” para vários membros do público. As despedidas nunca são fáceis, e Cat Power ficou, depois da música terminada, quase 10 minutos a distribuir flores, setlists e “obrigados” aos espectadores. Foi um espectáculo que terá entrado no imaginário dos presentes, até pela simplicidade com que Cat Power transmitia a sua música cativante e envolvente. Com a sua legião de fãs a aumentar no nosso país, é de esperar mais aparições nos próximos tempos. Os admiradores agradecem. Nuno Gouveia * Publicado no Jornal Académico |