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CD-RUM

Todas as semanas um disco radiografado.

Dia: De Segunda a Sexta
Horários: 04h30m, 10h30m e 17h30m

 


09 a 13 de Abril
2012-04-16

JULIA HOLTER

Ekstasis





Há discos que possuem algo de mágico, etéreo, que se nota nos primeiros instantes de audição. Foi assim com "Tragedy", primeiro álbum de originais propriamente dito de Julia Holter - antes, já tinha lançado uma série de EP's, cassetes e registos ao vivo - e também o é com "Ekstasis", o seu segundo trabalho, lançado no início deste ano.
Embora aparentemente mais acessível, "Ekstasis" mantém o teor rendilhado e barroco das composições também presente em "Tragedy", numa obra marcada por uma flutuação por entre o instrumental e o avant-garde, sempre com a pop como fio condutor. Apesar da elevada craveira em termos académicos e artísticos - Holter tem uma sólida formação musical, sendo que "Tragedy" é um álbum conceptual baseado em Hipólito, de Eurípedes - o seu estilo de composição é, como confessou em entrevista recente ao Ipsilon, profundamente instintivo, optando a compositora por deixar-se ir no processo de gravação (que, a título de referência,  foi também feito sem grandes artefactos de estúdio).
"Ekstasis" tem então um toque de acessibilidade que escapa, numa primeira audição, a "Tragedy". À menção constante aos dois trabalhos não é alheio o fato de ambos terem sido gravados na mesma altura, sendo curioso a opção de Holter de lançar o álbum mais… difícil em primeiro lugar para, em 2012, apresentar a sua faceta mais pop. Eventuais paradoxos à parte, "Ekstasis" é um disco requintado e de uma beleza rara, que merece uma audição mais cuidada. Quem sabe não fica a vontade de ir mais além e ouvir também "Tragedy"?

Ricardo Carvalho
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