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2007-01-26 |
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A apresentação do norte-americano Brad Mehldau no Theatro Circo de Braga para um concerto para piano solo, foi motivo suficiente de curiosidade e interesse por um público que encheu a sala deste renovado teatro, para ouvir um músico arrojado e de inegável talento no panorama do jazz actual. Durante o ano de 2006, o pianista mostrou-se bastante produtivo em termos discográficos com trabalhos tão díspares como: “Love Sublime” com Renée Fleming, “House on Hill” com o seu trio (Larry Grenadier no contrabaixo e Jorge Rossy na bateria) e “Metheny Mehldau”, com o guitarrista Pat Metheny. A sua clara genialidade é uma constante; um músico que apesar de unir de forma harmoniosa a educação clássica e o gosto pelo jazz, optou pelo fascínio da experimentação fazendo da improvisação, o veículo de expressão da sua personalidade musical. Desta forma, não foi surpresa assistir às influências de Beethoven, Schumann, Bill Evans ou Keith Jarrett ao mesmo tempo que, duma forma cirúrgica, fazia a revisitação do cancioneiro anglo-saxónico em versões como “Lithium” dos Nirvana, “ Lucy in the sky with diamonds” da dupla Lennon/ McCartney, “Exit Music (for a film)” dos Radiohead ou “Eu faço samba e amor até mais tarde” de Chico Buarque. Houve também tempo de sobra para o jazz em temas como “Unrequited” ou “My favorite things” de Richard Rodgers convertida em standard de jazz pela mão de John Coltrane, Sarah Vaughan entre outros. Com um trabalho formidável de mão esquerda quer acompanhando ou catalisando emoções, destacou a sua homogeneidade de abordagens que iam desde o enfurecimento sonoro e percussivo à beleza despojada dos temas mais lentos. Em quase duas horas e três encores, Mehldau trocou as palavras desnecessárias pelas deambulações sonoras ricas em versatilidade e improviso, recolhendo com mérito o entusiasmo do público no final das longas incursões que apresentou. Miguel Aguiar |
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