Os Muse regressaram a Portugal para um concerto no renovado e esgotado Campo Pequeno. Mais de 7 mil pessoas vibraram, saltaram e cantaram as músicas vindas directamente da garganta de Mathew Bellamy.
O último álbum, “Black Holes and Revelations” tem sido criticado por ser demasiado electrónico e fugir ao estilo rock que caracterizava os Muse. Pois bem, este álbum ao vivo assume toda a força latente que parece ser percepcionada por apenas alguns em som de estúdio. Outra critica que se ouve em alguma imprensa é que os Muse são uma espécie de Radiohead de segunda classe, certamente desconhecedores da poderosa força musical dos Muse. A verdade é que os Muse, independentemente das suas influências, conquistaram um estilo único, que foi bem visível neste concerto. A banda ao vivo soube intercalar as suas melhores músicas, com as do novo álbum, que para alguns ainda poderiam ser um pouco desconhecidas. Durante o concerto, os britânicos conseguiram que os fãs esquecessem tudo o resto e mergulhassem no mundo dos MUSE… no desespero melodramático da voz de Bellamy, um verdadeiro frontman, rasgada pela acústica vibrante da sua própria guitarra, do baixo de Christopher Wolstenholme, e acompanhados pelo excelente baterista, que se encontrava envolvido no ambiente louco do Campo Pequeno. A qualidade do som era muito aceitável, fazendo com que tudo estivesse bem preparado para um grande espectáculo. O concerto em si também foi bem planeado, sobriamente, como se caracterizam os Muse... que do pouco fazem muito. Houve pormenores deliciosos, como a cápsula que envolvia o baterista ou as bolhas que saltaram para o palco, para não falar na envolvência digital criada pelos ecrãs. É também importante salientar a forma como envolveram o público, sem grandes diálogos, que isso roubava tempo para o que realmente interessava. E envolveram de tal maneira as pessoas, que naturalmente entravam no universo das suas musicas...dançavam, cantavam, pulavam. No final do concerto, os fãs da banda ficaram com gosto amargo e paradoxal de terem tido tanto e tão pouco ao mesmo tempo...Ninguém certamente se importaria de os ouvir a tocar todo o seu repertório. Apesar de terem tocado cerca de 1h40, ninguém deve ter ficado desiludido, pois as grandes músicas estavam todas presentes, desde a Muscle Museum, Bliss, Plug In Baby ou New Born dos primeiros álbuns, à poderosa Stockholm Syndrom, que arrebatou o público, as inevitáveis Time is running Out e Apocalypse Please do “Absolution” ou Map Of The Problematique, a poderosa Starlight e Invencible do último álbum. Para o final estava reservado o ultimo single da banda, Knights of Cydonia, que conquistou por completo as escassas pessoas que ainda não estariam maravilhadas pelo concerto.Este concerto provou definitivamente, que os Muse são das melhores bandas de rock da actualidade, com um grande sentido estético musical e visual nas suas criações ao vivo. Eles fizeram do público a sua musa e quiseram presenteá-los com o que melhor sabem fazer. O Campo Pequeno foi um excelente local, porque foi suficientemente intimista, e ao mesmo tempo, grandioso e magistral para o espectáculo. Ninguém que se deslocou a Lisboa se deve ter sentido defraudado. E via-se que estava gente de todo o país, do Norte ao Alentejo. Para a próxima, talvez esgotem um espaço ainda maior. NGSP |